Quem acompanha de perto o calendário da Netflix já percebeu que 2026 prometia ser um festival de megafilmes prontos para disputar prêmios. Mas a maré mudou: dois dos títulos mais quentes da plataforma devem pular fora da corrida e só chegar em 2027.
Os longas em questão são “Lá Vem o Dilúvio”, thriller de assalto comandado por Fernando Meirelles com Denzel Washington e Robert Pattinson, e “Retorno de Saturno”, drama romântico produzido pela Plan B que reúne Charles Melton e Rachel Brosnahan. A decisão ainda não é oficial, mas fontes de estúdios garantem que o adiamento está na mesa.
Por que 2027 virou o novo alvo
Segundo executivos ouvidos pela Variety, as janelas de pós-produção ficaram apertadas demais depois que as filmagens se estenderam até o começo de 2026. Soma-se a isso um fim de ano já lotado de apostas de prestígio no catálogo, e a estratégia mais segura passa a ser empurrar os lançamentos para o ciclo seguinte de premiações.
Há um ponto de vista mercadológico: estrear em janeiro ou março de 2027 garante espaço em festivais como Sundance e SXSW, onde o burburinho começa cedo e pode sustentar a conversa até o Oscar. Foi assim com “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”, que dominou discussões durante doze meses. A Netflix pretende repetir a fórmula, evitando a concorrência interna com projetos como “La Bola Negra” e o novo longa de David Fincher marcados para o quarto trimestre de 2026.
Os filmes que escaparam de 2026
Lá Vem o Dilúvio
Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (“Dois Papas”), o thriller apresenta um assalto narrado em ordem não linear, onde um vigia de banco, uma caixa e um ladrão genial se engalfinham em jogos de enganação. O roteiro de Simon Kinberg promete rebobinar e avançar a história em loops, testando a percepção do espectador.
O elenco eleva a expectativa: Denzel Washington, em seu retorno ao streaming depois de “Tempo de Glória”, divide cena com Robert Pattinson, Daisy Edgar-Jones, Danai Gurira e Sean Harris. A produção foi rodada em Nova Jersey até janeiro, restando pouco tempo para edição fina, mixagem e efeitos. Internamente, comenta-se que Meirelles prefere finalizar sem pressa para que o resultado mantenha o padrão que o fez respeitado em Hollywood.
Curiosidade: o título provisório surgiu de uma metáfora sobre ameaças que chegam de todos os lados, mas a equipe de marketing estuda manter a tradução literal para reforçar a tensão climática da trama. Caso se confirme o adiamento, o filme pode estrear já cercado de buzz em Cannes ou Veneza 2027.
Imagem: Getty
Retorno de Saturno
Depois de comover o público com “Sing Sing”, Greg Kwedar volta ao comando em um romance ambientado em Chicago que acompanha três amigos da faculdade durante dez anos. A narrativa salta entre dois momentos distintos, explorando amores inacabados, reinvenção pessoal e a teoria astrológica de que, aos 29 anos, Saturno “volta” e redefinimos o rumo da vida.
Charles Melton, indicado ao Emmy por “Treta”, vive o protagonista que precisa escolher entre a carreira e um relacionamento complexo. Rachel Brosnahan e Will Poulter completam o trio central, entregando química elogiada pelas primeiras exibições-teste. Produzido pela Plan B, o longa mira agora a estreia mundial no SXSW de 2027, festival conhecido por impulsionar narrativas autorais com potencial pop.
Entre as curiosidades, Melton frequentou aulas de astrologia para entender o simbolismo do “retorno de Saturno”, enquanto Brosnahan mergulhou em workshops de dança de salão, disciplina que atravessa a trilha sonora do filme. Essa dedicação reforça a ambição de garantir prêmios de interpretação na temporada seguinte.
Mesmo com as mudanças, o line-up de 2026 continua robusto: “La Bola Negra”, o drama de guerra “The Mosquito Bowl” e o misterioso “Gentle Monster” seguem agendados. Para os assinantes, fica o consolo de que os atrasos visam lapidar projetos que podem se tornar novos marcos do streaming. Como resume um executivo ouvido pelo portal NoNetflix, “vale mais chegar perfeito do que chegar primeiro”.
