‘Ray Gunn’: animação noir de Brad Bird chega à Netflix

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Três décadas depois de ser concebido, o projeto mais pessoal do cineasta Brad Bird finalmente tem data para chegar às telas. A animação neo-noir Ray Gunn estreia mundialmente na Netflix em 18 de dezembro de 2026, coroando o acordo de múltiplos títulos entre o streaming e a Skydance Animation.

Além de marcar o retorno de Bird à animação depois de Os Incríveis 2, o longa mistura investigação policial, ficção científica retrô e um elenco de vozes estrelado. Para quem acompanha as novidades da plataforma, o filme promete ser um dos grandes eventos do fim de ano — e já entrou no radar de premiações após exibições parciais em Annecy.

Do rascunho de 1996 ao pacote com a Netflix

A semente de Ray Gunn foi plantada em 1996, quando Brad Bird e o roteirista Matthew Robbins elaboraram um roteiro em 2D para a extinta Turner Animation. Sem estúdio disposto a bancar a escala ambiciosa e o tom adulto, o projeto foi engavetado. O revival só ganhou corpo quando a Skydance Animation, liderada por John Lasseter, assumiu a produção, inicialmente para a Apple TV+.

Em 2023, a parceria global entre Skydance e Netflix transferiu o longa para o streaming. O orçamento estimado passa de US$ 150 milhões, e a animação migrou para o 3D com suporte do estúdio Cinesite. Mesmo assim, Bird garantiu em um painel em Annecy que nenhum quadro recorre a captura de movimento; tudo foi animado à moda antiga, quadro a quadro.

Enredo: detetive durão em uma metrópole art déco alienígena

A história se passa em Metropia, megacidade que imagina 1939 por uma lente futurista. Lá, humanos convivem com várias espécies alienígenas em meio a letreiros neon e arranha-céus de inspiração Art Déco e Streamline. O detetive particular Raymond Gunn aceita investigar um assassinato que envolve a superstar multimídia Venus Nova — e logo percebe que a conspiração é maior do que parecia.

Descrito pelo diretor como “O Falcão Maltês encontra Buck Rogers”, o roteiro aborda temas de identidade e máscaras sociais. Nos primeiros sete minutos exibidos em Annecy, o público conferiu um roubo cinematográfico e uma negociação cômica na qual Gunn tenta comprar um “L8-13 Fire Blaster” por meros 40 dólares depois que sua arma quebra.

Elenco de vozes

  • Sam Rockwell interpreta Raymond Gunn, o detetive humano de moral ambígua.
  • Scarlett Johansson vive Venus Nova, celebridade tão fascinante quanto perigosa.
  • Tom Waits dá voz a Eyera, alienígena de falas enigmáticas.
  • Buck (o treinador de futebol do filho de Bird) empresta sua voz a um negociante de armas do submundo, em participação que rendeu gargalhadas no festival.

Time criativo de primeira linha

Além da direção, Brad Bird divide o roteiro com Matthew Robbins. A produção executiva reúne John Lasseter, David Ellison, Dana Goldberg, Lisa Beroud e o próprio Bird. Entre os bastidores, chamam atenção:

  • Michael Giacchino, vencedor do Oscar, responsável pela trilha sonora.
  • Neysa Bove, figurinista de Moana e Encanto, que assina o design de roupas.
  • Darren T. Holmes e Karl Armstrong na montagem.
  • Supervisão de efeitos de Adel Abada, James Rothwell, Joshua Herrig e Julia Spurek.

Duração e classificação indicativa

A Netflix confirmou que Ray Gunn terá 1 h 59 min e classificação PG nos Estados Unidos, equivalente a “livre para todos os públicos, com orientação”, por violência moderada, linguagem e insinuações. Internamente, havia expectativa de um PG-13, mas o corte final manteve o teor acessível, equilibrando a atmosfera sombria com apelo familiar.

Estreia, festivais e disputa por tela grande

O lançamento em 18 de dezembro de 2026 encerra uma queda de braço sobre janelas de exibição. Quando As Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago, de Greta Gerwig, saiu do calendário de novembro de 2026, a equipe de Ray Gunn pleiteou seu espaço em IMAX. A Netflix, contudo, preferiu reservar a data para a sequência de Era uma Vez em Hollywood, de David Fincher. Assim, a animação ficará restrita ao streaming, com exceção de sessões no London Film Festival em 10 e 17 de outubro de 2026.

Por que prestar atenção em Ray Gunn

Brad Bird construiu reputação de excelência com O Gigante de Ferro, Ratatouille e Os Incríveis. Ray Gunn representa seu primeiro original totalmente novo em mais de 15 anos e revigora o subgênero noir na animação, ainda pouco explorado. O visual art déco, aliado ao universo alienígena, promete algo diferente de tudo que a Netflix lançou até hoje.

Se cumprir o que foi exibido em Annecy, o longa deve disputar vagas em categorias de animação e trilha sonora no Oscar 2027. Para o público, significa um filme capaz de agradar a quem cresceu com desenhos de Bird e a quem busca uma experiência adulta, mas acessível, no fim do ano.

O que vem a seguir

Com a estreia ainda a dois anos e meio de distância, mais trailers e pôsteres devem surgir a partir de 2025, quando a campanha de marketing engrenar. Enquanto isso, títulos anteriores da Skydance Animation como Spellbound e Pookoo devem chegar antes ao catálogo e oferecer pistas sobre o nível técnico que o estúdio entregará.

Para quem gosta de acompanhar a evolução de um projeto de perto, Ray Gunn é um caso de perseverança rara em Hollywood. Agora, falta pouco para saber se a espera de 30 anos valerá a pena.

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Me chamo Cleverson Oliveira e sou redator do NoNetflix, especializado em cobrir novidades, lançamentos e bastidores do catálogo da Netflix. Acompanho diariamente estreias, cancelamentos, renovações de temporada e tudo o que entra ou sai da plataforma, para manter você sempre informado. Meu objetivo é entregar conteúdo rápido e confiável sobre o que realmente importa para quem assiste Netflix.