A Netflix passou por uma transformação significativa na sua forma de produzir e selecionar conteúdos nos últimos anos. O que antes parecia uma aposta desenfreada em diversos gêneros, hoje é uma estratégia muito mais focada e orientada por dados, abandonando algumas modalidades que já foram bastante exploradas.
Conhecer esses gêneros e formatos “esquecidos” ajuda a entender a evolução da plataforma e o que podemos esperar do catálogo nos próximos meses. O 365Filmes reuniu os principais exemplos para você ficar por dentro dessas mudanças.
Gêneros e formatos que praticamente desapareceram do catálogo Netflix
Talk Shows tradicionais
Netflix tentou ser referência nos talk shows tradicionais, investindo em nomes como Chelsea Handler, Hasan Minhaj e Joel McHale. Mas o formato clássico de programa com monólogo e mesa não se encaixa bem no modelo de streaming, focado em maratonas e episódios sob demanda. Além disso, a natureza semanal dos temas debatidos faz o conteúdo perder relevância rápido.
O fracasso desses programas refletiu também na interface da Netflix, que até recentemente dificultava o acesso a episódios semanais. Hoje, o formato migrou quase que totalmente para podcasts e plataformas como YouTube e Spotify. Para quem gosta de talk shows, vale acompanhar os podcasts que a Netflix vem desenvolvendo, que segundo executivos, têm funcionado melhor para retenção.
Fantasia jovem com grandes orçamentos (YA Fantasy)
Durante um período, séries fantásticas para jovens adultos como Shadow and Bone, Fate: A Saga Winx e First Kill eram apostas constantes. Produções caras, com efeitos visuais extensos, demandam orçamentos gigantescos, mas os índices de conclusão das temporadas não foram satisfatórios. O público até assistia, mas raramente completava as histórias.
Por essa razão, a Netflix saiu do modelo de arriscar em IPs de médio porte, focando agora em adaptações de grandes sucessos, como Avatar: A Lenda de Aang e One Piece, que já possuem fãs consolidado e maior garantia de engajamento.
Especiais interativos de “escolha sua aventura”
Black Mirror: Bandersnatch foi o auge da experimentação da Netflix com conteúdos interativos, que depois renderam especiais para Carmen Sandiego e Unbreakable Kimmy Schmidt. No entanto, o custo para manter essa tecnologia e a falta de ampla aceitação pelo público fizeram a plataforma abandonar esse formato.
Hoje, a Netflix aposta na expansão dos jogos digitais propriamente ditos em devices móveis, integrando suas propriedades intelectuais a experiências gamers, em vez de continuar com os especiais interativos dentro do streaming.
Blockbusters de ação com orçamento ilimitado
Há alguns anos, a Netflix investia pesado em filmes de ação gigantescos, como Resgate e The Gray Man, gastando centenas de milhões para garantir estrelas de Hollywood. Apesar do grande volume de visualizações, o custo não refletia em crescimento sustentável para assinantes, nem em boa aceitação crítica.
Imagem: Kasey Moore
Com Dan Lin no comando da divisão de filmes, a estratégia mudou para produções mais enxutas e focadas, mesmo com exceções de grandes nomes como David Fincher e Greta Gerwig. Essa mudança tem equilibrado qualidade e orçamento de forma mais eficiente, mantendo a competitividade do catálogo.
Sitcoms multicâmeras e live-action para crianças e adolescentes
No início da produção original, Netflix apostou em sitcoms multicâmeras como The Ranch e Fuller House, além de séries voltadas para o público jovem, como Alexa & Katie. Porém, o público jovem migrou quase que totalmente para plataformas de vídeos curtos como TikTok e YouTube, fazendo o conteúdo perder espaço.
Hoje, a Netflix foca mais em animações infantis e dramas com maior orçamento, como Finding Her Edge. Ainda assim, tenta reviver o gênero com um spin-off de Victorious, apostando em conteúdo estruturado para famílias, mas com uma proposta diferente dos antigos formatos.
Por que essas mudanças fazem sentido?
Essas transformações refletem diretamente as mudanças de comportamento do público e a busca pelo melhor desempenho do catálogo. Programas semanais, por exemplo, perdem força num ambiente onde o assinante prefere maratonar séries completas.
Além disso, a Netflix tem direcionado esforços a produções que garantem maior retenção e diferenciação, como as grandes franquias e formatos inovadores. Para os fãs de comédia, por exemplo, ainda existem boas opções dentro da categoria, como as apostas no humor mais contemporâneo em títulos que estão surgindo na plataforma.
Para quem quer se aprofundar em curiosidades da plataforma, vale acompanhar novidades sobre segundas temporadas de séries e ver como a Netflix consegue reinventar seus investimentos para manter o interesse do público.
